sábado, 15 de março de 2008

Mulher à beira de um ataque de nervos



Tenho quase a certeza de que quando o Almodovar realizou o filme "Mulheres á beira de um ataque de nervos" o terá feito a idealizar - visionário como é - a minha manhã de hoje.
E, fosse eu tão visionária como ele, tinha-me preparado... Mas não sou e não me preparei.
Claro que já devia ter adivinhado! Afinal, porque é que não desconfiei quando, confrontadas com esta minha nova gravidez, as pessoas comentavam:
- " coitada!"
- "antes isso que uma doença..." (!)
- "deixa lá, tudo se cria..."
- Aconteceu, não foi? paciência..."
Se nunca ninguém me disse - boa! três filhos! que espetáculo! que inveja!, por alguma razão há-de ter sido...
E hoje, percebi finalmente porquê.
Mas vamos começar pelo inicio, como deve ser:
Sábado de manhã, 7.45h, percebo que o P. e o M. estão acordados no quarto ao lado (agora dormem eles com o Pai e eu com o J) e vou ter com eles. Estamos na brincadeira até ás 08.15h quando o J. começa a chorar porque está na hora da mama.
Fui ter com o J., preparei o biberão (a mama nunca é suficiente)e comecei a dar-lhe o leite. Entretanto, o M. e o P. vieram ter comigo, subiram para a cama e começaram a querer dar-lhe o leite, a puxar o biberão, a dar-lhe a mão, a fazer-lhe mimos...
Chamei o V. para lhes mudar a fralda e começar a vestir.
Acabei de dar o leite ao J., pu-lo no berço e fui acabar de vestir os mais velhos. Depois da roupa, é lavar a cara, os dentes, pentear o cabelo, pôr creme na cara e perfume. Quando já estava quase a terminar, tocaram á porta. Era a minha cunhada e as minhas sobrinhas. Lá subiram para o quarto e mandei os miúdos todos para o quarto de brincar (com excepção do J., claro, que, neste entretanto sujou a fralda, teve de ser mudado e passou também para o nosso quarto).
O V. saiu para trabalhar (sim, porque agora trabalha ao sábado de manhã)e eu finalmente tentei arranjar-me. Cheguei à casa de banho e o M. tinha pegado na minha caixa das lentes que, obviamente caiu ao chão, tendo perdido uma das lentes.
Resmunguei com ele, com as lentes, com a porcaria do tapete que tem tanto pêlo que nunca mais encontrei a lente e fomos para a cozinha tomar o pequeno almoço.
Entre fruta e iogurte espalhados pela cara dos putos e pela mesa, pela gestão de conflitos por causa dos brinquedos, das canetas, dos garfos e das colheres, começou o J. a chorar no andar de cima.
Como a minha cunhada ainda estava cá em casa, foi ela buscar o J. e eu continuei na tarefa árdua do pequeno almoço. Já com o J. cá em baixo, o M. bateu na cabeça do P. com a escova e o P. começou a chorar inconsolável. Mandei-os a todos para o parque brincar e tentei concentrar-me em mudar a fralda mais uma vez ao J., já quase quase a desesperar.
Eis senão quando fui salva pelo gongo: A minha cunhada perguntou-me: E se eu levasse os miúdos comigo?
- Estás a brincar? Pensei. Leva-os! e não os tragas tão cedo... (esta parte não disse! Mas que pensei, pensei...)
Lá fui ajudar a colocar as cadeirinhas no carro dela, debaixo de uma chuva torrencial (de lembrar que fui ontem ao fim da tarde ao cabeleireiro), mas mais ou menos aliviada. Pu-los no carro, entreguei uma mochila com umas fraldas, e começaram os dois outra vez a chorar: Queriam os dois a mesma mochila...
Voltei a casa, peguei noutra mochila, pus uns queijinhos e umas bolachas dentro e voltei ao carro. Enteguei esta mochila ao M. que de imediato a abriu e quis o queijo. Abri o queijo, dei-lho e começou o P. a chorar que também queria um. Ok! calma que estão quase quase a ir embora, pensei...
Abri o outro queijo e dei-o ao P.
- E agora, tudo ok?
Não. Ainda faltavam os dinossauros porque cada um quer sempre o brinquedo que o outro tem...
Nova gestão de conflitos..., nova troca de dinossauros..
Finalmente, bati a porta do carro e pensei: Desta já estou livre!
Fui para casa para acabar de me arranjar, olhei para o espelho e... auréolas de leite na minha camisola acabada de vestir porque me esqueci da porcaria dos discos de amamentação...
Isto não me está a acontecer....Bem... paciência!
Entre escolher uma nova camisola e fazer de conta que isto não aconteceu, preferi a segunda hipótese. vesti um casaco por cima e esperei não ter muito calor...
Agora sim, pronta para sair: Vesti o casaco ao J., pu-lo na babycoque e saí de casa.
SAÍ DE CASA... mas não passei da porta! Depois disto tudo, percebi que não tinha a chave da garagem e não podia sair de casa.
Será possível????
Lá telefonei ao V., a fazer queixinha, e ele veio abrir-me a porta para eu poder sair...
Assim, depois de me ter levantado às 7.30h, consegui sair de casa às 11h.
Boa!
E isto sem os dois filhos mais velhos, senão mais valia nem ter saído...
Sim... Não tenho dúvida de que foi uma manhã para um verdadeiro ataque de nervos!
Três filhos???? Estou convencida que é quase impossível sair de casa com os três...
Quando, à hora do almoço, cheguei a casa da minha sogra, os miúdos já lá estavam.
E quando eu cheguei, abriram o sorriso mais lindo do mundo e disseram: Mãe, colo!
E com aqueles beijinhos e abraços tão saborosos, passei imediatamente de mulher à beira de um ataque de nervos a mulher à beira de um ataque de amor...

Haverá alguém que consiga explicar as incongruências de um coração de Mãe?????

3 comentários:

Maria Alexandra Martins disse...

Querida amiga,
Devo dizer-te que acho "deliciosa" esta agitação matinal :)
Não perco uma oportunidade de ler as histórias do "barrigacheiade felicidade". Acho lindo ter três filhotes assim, correr, desesperar para...em tantos momentos, ter sorrisos lindos e sinceros.
Um beijo, coragem :)

Cris Costa disse...

Linda... deixa lá que eu só tenho a B. e também preciso de me levantar às 07:30 para sair às 11:00... Será que com o 2º e o 3º isto tende a melhorar? :)

Ah... e eu "invejo-te" por teres 3 filhotes tão lindos :) Também quero!!
Beijos, Cris

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