quarta-feira, 4 de março de 2009

Poemas


Acho que já aqui escrevi que quando era mais nova (não muito, só um bocadinho…) era muito dada à escrita.
E quando comecei a escrever neste blog, a minha escrita voltou a desenvolver-se. Não com a desenvoltura e a beleza que tinha nessa altura, mas pelo menos voltei a escrever. E voltei a descobrir a magia das palavras….
Nessa minha redescoberta, tenho andado à procura de um poema de que gostava muito e de que me tenho lembrado variadíssimas vezes, mas de forma incompleta.
Outro dia decidi procurá-lo na Internet (bendita, que tem sempre tudo…) e encontrei não só esse (do José Gomes Ferreira) como um outro (este encontrei por mero acaso) do Eugénio de Andrade que era o poema que servia de capa ao meu “ livro dos escritos” dos 17 anos…
Vou escrever aqui os dois, para partilhar convosco!

I)
Quem foi o arquitecto
que fez este café
tão longe da Natureza
e tantos homens de pé?
Criado, põe esta gente na rua!
E abre um buraco no tecto
que eu quero ver a lua.
( José Gomes Ferreira - Poesia III )

II)
Creio que foi o sorriso,

o sorriso foi quem abriu a porta.

Era um sorriso com muita luz lá dentro,

apetecia entrar nele, tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso.

Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

(Eugénio de Andrade)