terça-feira, 5 de maio de 2009

Nostalgia de terça-feira


O V. colocou esta imagem no blog dele. Uma imagem de uma praia perto de Porto de Galinhas. Praia dos Carneiros, em Pernambuco
Já não me recordava bem do nome, tive de ir ver ao Google, mas sei que era uma praia onde o mar se juntava com o rio e a água era do mais quente que já experimentei. E que aquela igreja perdida em nenhures estava cheia de morcegos
Num momento muito feliz das nossas vidas em que ambos pensávamos que iríamos ficar juntos para sempre.
E isso fez-me pensar num post da Mãe em alto mar, a propósito da falta de tempo para ela e para o marido enquanto casal, com três filhos pelo meio.
Quando o li não me apeteceu comentar, porque foi com um misto de alegria (por ela) e tristeza (por mim) que o li. Mas, depois deste tempo, já consigo escrever com algum distanciamento.
Houve, de facto, momentos em que eu pensei que eu e o V. íamos crescer e morrer juntos. E esses momentos foram uma linha contínua até há pouco mais de um ano.
Depois, de repente, afastámo-nos. Não conseguimos sobreviver no meio de tanto ruído. O V. não conseguiu encontrar, nessa confusão em que a nossa vida se transformou, a alegria de um minuto a sós comigo, em que podíamos sussurrar amor.
Não merece a pena arranjar culpados. De facto isso é o menos importante porque não há quem esteja isento de culpa, mas não consigo deixar de lamentar que o V. não tenha sabido esperar. Estar comigo. Perceber que o meu papel, naquela altura, era ser organizadora de casa (porque na verdade dona de casa nunca fui muito…), profissional, mulher e, sobretudo, Mãe.
Fui, durante um ano, Mãe e Pai de três bebés. Com alguns queixumes e azedumes pelo meio, mas muito poucos se comparados com o quão sozinha estive durante esse tempo. Porque, apesar disso, tinha encontrado o meu Mais. A minha completude. E achava que, ainda assim, podíamos conseguir sobreviver. Mais um bocadinho, mais um bocadinho…
Não conseguimos.
O V. perdeu-se nesse caminho. Nessa caminhada que deixou de ser nossa para passar a ser só minha.
Tenha pena. Sim. Muita. Não consigo deixar de ter. E, quando vejo um post como aquele, não consigo deixar de sentir uma pontinha de inveja. No sentido positivo, entenda-se. Apenas porque lamento que a minha família de capa de revista não tenha conseguido superar-se.
Continua a faltar-me um cão e um barco, para a típica família das soap americanas, mas lá chegarei.
Como sabem, perco muito pouco tempo a lamentar o que não tenho.
E, na verdade, hoje nem sequer lamento o que não tenho.
Lamento apenas que o V. não tenha sabido amar-me (e amar-nos) o suficiente.

15 comentários:

Isa disse...

Ó amiga não posso deixar de ficar com um nó na garganta, porque realmente vocês (por aquilo que leio, é claro) têm tudo para serem uma familia lindissima! Lamento! Mas não posso deixar de te dizer que por os comentários deixados pelo V existe amor, muito amor e respeito por ti.
Beijos doces.

Edith disse...

No meu casamento está a acontecer o mesmo. Estamos longe um do outro, depois do Pedro nascer, aos poucos as coisas têm mudado para pior. Inicialmente pensava que eram coisas da minha cabeça mas agora, depois de me contar entre lágrimas que não está feliz com o nosso casamento, percebi muita coisa! Não posso pensar que é o fim, porque também eu sempre pensei que este era uma casamento para sempre; vamos tentar, estamos a tentar superar....

Polar Azul disse...

Também tenho pena, por mim e por nós todos. De facto não o merecias, não o mereciamos. Fico com a sensação de ter ficado à porta, porque o barulho agora é menor e eles estão bem mais crescidos e independentes. Bastava um ano mais, apenas um ano.E é verdade o que a Isa diz, existe de facto muito amor e respeito por ti. Estarei sempre aqui para todos vocês.De quem vos ama.

Loira disse...

É complicado. Eu sempre pensei que não poderia ter escolhido melhor pai para os filhos que queria(mos) ter. Mas, qd o meu filho nasceu, não foi isso q aconteceu e a decepção foi enorme. E atenção: eu só tenho um filho!
beijo

sobretisobrenos disse...

Não podia deixar de comentar este post. É sempre difícil ver uma família a desmoronar-se.
Mas, ao mesmo tempo não poderia deixar de te dar os parabéns. Sim, os parabéns pois o teu post mostra que és uma pessoa sem rancores.
beijinhos

disse...

Olá!
Admiro-te, por todas as razões e mais algumas! Mas neste momento o que mais me toca é a tua maneira de perceberes e manifestares os teus sentimentos, neste meu momento é bom saber que isso é possível que de certeza que com algum trabalho lá chegarei!
Os meus parabéns és uma Mulher com m "grande"!
Beijinhos

Loira disse...

Manda-me um mail para omeninodamama@gmail.com , para eu ficar com o teu e-mail :D!

macaso disse...

É muito difícil comentar...

Força...beijinhos...esperança

macaso disse...

Deixo-te o meu mail...se quiseres envia-me um mail para te poder convidar para o meu canto.
Eu gostava muito.

puromacaso@gmail.com

Melissinha disse...

Conheço uma história muito parecida com a tua: a da minha própria prima. O que aparentemente era o "fim" da família dela era, na verdade, o começo de outra. Hoje está muitíssimo bem casada com, este sim, o homem perfeito para ela.

Mulheres que escrevem assim tão bem não acabam sozinhas, podes ficar certa disso!

Banita disse...

Como é que se sabe que um casamento acabou? Quando se deve dizer o não final,baixar os braços e tirar todas as esperanças do nosso coração?
Eu não sei quando e será que talvez,só talvez, vocês o fizeram cedo de mais?
Como podem pensar que já acabou um casamento quando ainda há amor e respeito? Eu, pessoalmente, tenho alguma dificuldade em entender situações como a vossa, mas quem sou eu para julgar ou criticar, mas apenas e tão somente para questionar, para que vocês próprios se possam questionar.
Um beijinho de quem vos lê, gosta e se preocupa por vocês. Acho que és uma super mulher, pois lidaste com essa situação complicada e ainda tiveste forças para cuidar dos teus 3 filhos! Que corajosa!

Um pedaço de azul... um BloGui diferente disse...

Custa-me comentar um post assim... se custa.
Deixo-te um beijo

Maria José disse...

Amiga nem sei o que te dizer um grande beijinho
bjokas

Ana. disse...

Olá S!

Só hoje é que dei contigo. Porque li os textos do V. e fiquei com curiosidade de ler o teu "lado da história".

Confesso que ainda não consegui ler tudo, mas o que li tocou-me muito. Tens uma maneira guerreira de encarar as rasteiras do mundo e uma coragem avassaladora.

Não conheço na totalidade os contornos da tua (vossa) história, e não quero ser indelicada falando do que não me diz respeito, mas doi-me que duas pessoas que já foram tanto uma para a outra se tenham apartado assim...

Obrigada pela visita. Eu também vou voltar!

Beijos para os teus três reguilas! Deve ser uma festa aí em casa!

;)

somebody disse...

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