segunda-feira, 22 de junho de 2009

Castelos de areia


Sou, por natureza, imperfeita.
Tenho muitas qualidades, naturalmente, mas tenho também, sem sombra de dúvida, muitos defeitos.
Como o facto de ser presumida.
Sou presumida e admito-o.
Frequentes vezes acredito que sou muito inteligente e muito esperta, atenta aos pormenores, boa avaliadora de caracteres. E, frequentes vezes também, percebo que não percebi rigorosamente nada!
Quer dizer: Já devia ter percebido que a presunção não leva a lado nenhum, certo? Já devia ter aprendido a, pelo menos, ser mais humilde em relação à minha própria presunção…
Mas não…
Por isso continuo a, muitas vezes, ser confrontada com a minha ingenuidade. Com a minha burrice ou falta de esperteza, com os meus erros de avaliação.
Creio que isso tem que ver, sobretudo, com o facto de eu ser muito optimista, muito de bem com a vida e de acreditar genuinamente nas pessoas.
E de acreditar que podem sempre ser melhor do que são.
Mas a verdade é que não podem.
Nós somos o que somos. Não podemos ser melhores nem diferentes. Somos apenas o que somos.
E, com 35 anos, já devia saber disso.
E sei!
Racionalmente, sei.
No meu coração é que não. Cá dentro é que continuo a acreditar naquilo que quero e não naquilo que vejo.
É tramado (com f., como diria a G.)
Assim, por causa dessa minha presunção e água benta, desiludo-me frequentemente com as pessoas quando na verdade elas nem sequer têm culpa.
Eu é que não quero ver, não quero perceber…
Como diria o Sr. Scolari: “e o burro sou eu?????”
Pois… Neste caso sou mesmo eu.