terça-feira, 17 de novembro de 2009

Telefonemas nao identificados (mais ou menos como os ovnis)


Lembro-me com algum carinho de, com 13, 14 anos, receber telefonemas anónimos.

Daqueles que me punham o coração aos pulos a pensar em quem seria que queria tanto ouvir a minha voz...

Também fiz alguns, confesso. Sobretudo para o R., a paixão de toda a minha adolescencia, só para o ouvir dizer está lá...

Lembro com carinho porque fez parte de um crescimento. De uma fase em que nao havia telemóveis. De partilhas de sussuros e histórias imaturas de uma menina que um dia fui.

Ao contrário, já nao acho grande piada a telefonemas anónimos aos 35 anos.

Convenhamos que, com esta idade, já nao me parece natural.

Porque das duas umas: ou são adolecescentes que aleatoriamente escolheram o meu número de telefone (coincidentemente o de casa e telemóvel) ou é alguém que, nao aleatória mas imatura e cobardamente decidiu tentar chatear-me.

Que nao chateia, na verdade. Nao me custa nada atender o telemóvel para o desligar em seguida. Mas já me aborrece um bocadinho quando ligam para minha casa.

Senao, vejam bem: tenho três bebés em casa, certo? que adormecem cedo... e que se assustam com um toque de telefone que toca sem aviso prévio!

Será só imaturidade ou mau carácter?

Falta de personalidade é, seguramente. Falta de sensatez, de equilibrio, também. Mas será também mau caracter?

Custa-me sempre acreditar que existem pessoas más. Sei que existem, naturalmente, mas custa-me pensar que há pessoas más que, ainda que de longe, me conhecem...

A tal bola cor de rosa de onde nao quero sair, lembram-se?

Assim, prefiro sempre acreditar que é imaturidade e nao malvadez. Incapacidade de lidar com a minha tranquilidade, com a minha felicidade com os meus principes. Nada mais que isso. O que já nao é pouco, ainda assim. Mas é menos, apesar de tudo.

E é, tao somente, digno de pena. Apenas isso.