terça-feira, 29 de dezembro de 2009

E em jeito de balanço:


Em termos de balanço 2009 foi um ano… como dizer isto? Bem: foi um ano genericamente mau.
Gostava de o poder dizer de outra forma, mas nunca fui de engonhar. Foi, de facto, um mau ano e preferia poder bani-lo da minha vida.
Considerando que não posso, não foi, de todo, um ano completamente mau.
Reencontrei amigos. Encontrei amigos novos. Reforcei laços de amor intensos com a minha mãe e com a minha irmã. Fui a Amesterdão, à Tunisia e a Barcelona. Tive uma bimby (lol), conheci realidades distintas da minha, recebi flores e prendas muito bonitas, experimentei surf, redescobri o prazer da leitura e, sobretudo, fui muito feliz com os meus três principes.
Amo-os de todo o meu coração e coloco a felicidade deles acima de qualquer interesse meu. Amo-os com a simbiose de um nó em quatro corpos que não se pode desfazer.
E, SOBREVIVEMOS.
O meu balanço é, em jeito de conclusão, esse: sobrevivemos. Enquanto seres individuais mas, muito particularmente, enquanto família. Sim, continuamos uma família. Que se ama, respeita, que brinca, que grita, que ri. Que troca mimos (e cuspos e ranhocas e até vómitos, ai pois é…) e amores e gestos de carinho imenso todos os dias.
Estamos juntos.
Os meus príncipes cresceram.
O J. já fala tanto… conversa, emite opinião (“que giro, mãe!), tem gostos próprios, ama os irmãos de paixão, é destemido, terrorista, teimoso, e lindo de morrer.
O P. e o M. continuam lindos e doces e começam finalmente a acalmar. Já se sentam a ver filmes de desenhos animados, adoram musicas, cada vez se comportam melhor em termos sociais, aprendem bem, falam bem, são amigos e generosos entre eles e com o J. Uns doces.
Eu, também cresci, acho eu.
Continuo com mau feitio, exigente e autoritária (isto é defeito mesmo, não há nada a fazer), mas acalmei. Estou mais serena, mais tranquila, sem tantos solavancos emocionais e de vida. A G. até já me diz que a minha vida voltou a ser uma pasmaceira (lol)… Ganhei mais humildade. Perdi alguma ingenuidade. Continuo feliz. Continuo a não saber estar triste. Continuo decidida, apesar das ainda tantas duvidas (que começam a ser menos, apesar de tudo). Continuo bem disposta, brincalhona, de riso e resposta pronta. Continuo a ver o lado bom das coisas, a rir-me de mim própria e com imensa vontade de fazer ainda tantas coisas. Com muita vontade de viver. Não fiquei mais forte. Não. Mas consolidei a força que tinha, em mim e nos meus bebés. Continuo a permitir-me ser frágil quando quero e a estar triste se for mesmo essencial.
Deixei crescer o cabelo. Comprei vestidos. Comecei a pintar as unhas de encarnado (quando as pinto…) e gosto. Mudei de carro e agora já podemos (eu e os meus príncipes) passear em segurança. Mantive o meu posto de trabalho num momento em que tantas pessoas o perdem e sou valorizada pelo que faço. Tenho saúde, os meus bebés também e temos uma casa enorme com um jardim fabuloso onde brincar.
Que mais posso querer da vida?
Hum… até podia pensar nisso, mas continuo a acreditar que mais vale nem me queixar da sorte que é muita e da vida cor de rosa que continuo a ter!