quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Desejos

Estou quase, quase a fazer anos. 36. A meio de uma vida.
Não no sentido de vida e morte (espero eu), mas no sentido de vida útil, saudável e activa.
Felizmente tenho tido, até ao momento, uma vida feliz.
Tive uma infância do mais feliz que possa imaginar, uma adolescência sem dramas, fui excelente aluna, com excelentes amigos, tive os namorados que quis (e muitos outros candidatos que nem sequer quis), casei com a pessoa que quis, tive um casamento muito perto do perfeito (pelo menos enquanto durou, lol) tenho uns filhos mais que perfeitos, fiz viagens que me deixaram excelentes memórias, tenho um emprego que me satisfaz e onde, ainda por cima, me pagam, tenho a melhor família e, excepção feita ao facto de não ter o meu pai (que, apesar de tudo, sei estar no céu a tomar conta de nós) não tive nunca nenhum contratempo de maior.
Sempre me senti, e continuo a sentir uma menina abençoada. Que sempre tive mais da vida do que aquilo que dei. E por isso, não peço muito (sendo que, no entanto, este não muito é tudo para mim): Continuar a ter saúde, a ter um emprego que me realize, a ter os mesmos amigos bons, a mesma família, a ter os meus filhos sempre por perto e sempre bem.
Também por isso, cada vez mais aprecio o que tenho e cada vez menos aceito o que não quero.

Na verdade, o que desejo a mim mesma para os meus próximos 36 anos de vida é continuar a ser feliz.
A saber apreciar as pequenas coisas da vida. A saber sorrir com o arco-iris que aparece no céu e a inspirar o cheiro a mar que chega com o vento a minha casa, a tranquilizar-me com passear pelo meu jardim e apanhar maracujás, a descansar com um banho de imersão bem quente, a saber rir-me das tontices do dia a dia; a aprender com os meus erros e aceitar que as pessoas são todas diferentes, a amar cada vez mais os meus filhos e as pessoas que realmente valem a pena e saber transmitir-lhes esse amor (que tantas vezes não sei), a sentir paz, a saber deitar-me na relva de um qualquer jardim publico a olhar o céu, a não ter vergonha de dançar no meio da rua se me apetecer, a ser eu mesma e não perder esta minha capacidade de encontrar sempre o aspecto positivo das coisas, a ter mais tempo, a saber apreciar mais o tempo…

Sim… são estes os meus efectivos e reais desejos para os meus próximos anos de vida!
O que, verdade seja dita, nao é assim tão pouco!