sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Já gaitei!

O P. e o M. são, como já por diversas vezes disse aqui, muito musicais.
Só para terem uma ideia, esta semana, já levaram para a escola, um piano, uma gaita, uma viola e um cão que canta e dança...
Então, ontem, estavam já na cama e o M. estva a tocar a sua gaita do Noddy.
Disse-me ele: Olha mãe, estou a gaitar!
- Estás a quê, filho?
- A gaitar. Estás a ver? Já gaitei!

E assim surge um neologismo na lingua portuguesa!...

Textos que não são meus


Há duas mensagens que tenho de colocar aqui, que não são minhas.
Uma, foi a C.(muito querida, como sempre), que me enviou. Um texto de Fernando Pessoa que já conhecia mas do qual já não me lembrava e que gostava muito de ter sido eu a escrever e uma mensagem, da Carla Almeida, que podia muito bem ter sido eu a escrever, num momento não muito longínquo da minha vida. Muito claro, muito lúcido, muito verdadeiro.
Aqui vão as duas:

1. Construir um castelo - Fernando Pessoa

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

2. Carla Almeida:
“Hoje de manhã íamos no carro, depois de mais um acordar em correria, e eu sentia-me exausta, e olhei-te e estavas exausto, e lá atrás os miúdos gritavam um com o outro, É meu! Não, é meu! Ó mãe! Ele chamou-me bebé! Eu não sou bebé! E os gritos enchiam-nos os ouvidos e o sangue principiava a ferver-nos dentro das veias, sim, que eu bem senti o teu sangue ferver-te nas veias da mesma maneira que o meu, uma vontade imensa de gritar CALEM-SE C**AL*O!, e o cansaço, às 8.30, tão fundo. Olhei para ti sem que te apercebesses (creio que estavas a entrar numa espécie de transe) e pensei: isto é a vida. A vida tal como ela é. E há poucas pessoas capazes de aguentar a vida como ela é. E quando se dão conta de que a vida não é como no Sexo e a Cidade, quando percebem que a vida não é só jantares românticos e festas e fins-de-semana em resorts de luxo, quando percebem que estão num carro, às 8.30 da manhã, completamente esvaídas, sem forças para darem um grito sequer, quando percebem, as pessoas - muitas pessoas - rebentam. Desistem. Dizem: Isto não é vida. Vou-me embora. Separo-me. Vou à procura de outra coisa. Melhor. Mais excitante. Mais glamorosa. Mais cool. A porra é que é engano. É mentira. É ficção. Daí a pouco, noutra casa, noutro carro, sentirão o mesmo. Sem tirar nem pôr. Porque isto é a vida. A vida tal como ela é. Claro que há momentos de uma felicidade que não tem tamanho nem preço nem palavras que a definam. Ah, sim, claro! Mas são momentos. Excelentes por serem isso mesmo: instantes. E a gente vai naquele carro e pensa: daqui a bocado vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. No fim-de-semana vai ser melhor. Nas férias vai ser excelente. Para o ano é que vai ser em grande. E vai. Mas a vida, a puta da vida, é aquele momento no carro. E a maior parte das pessoas que eu conheço não me parece minimamente preparada para aquele momento. Ou seja, para a vida."

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ponto final

Não vou escrever mais nada triste. Não sou assim, não quero ser assim. Este é um blog de coisas alegres e bem dispostas! De histórias divertidas de uma mãe que se vê à rasca com 3 miúdos terroristas… mas que os ama de paixão…
E permitam que deixe uma coisa clara:
O V. comportou-se muito mal. Mal comigo e sobretudo mal com os filhos porque sei que o problema dele não éramos nós (enquanto casal), mas a nossa vida enquanto luta diária de paciência, de rotina, de ensinamento, de barulho e mais barulho, de falta de tempo para ter vida própria.
Portou-se muito mal, é certo e não posso perdoar-lhe o sofrimento que, de forma absolutamente inconsciente, imatura e fútil, provocou na nossa família: em mim, nos nossos filhos, nos pais dele, na minha mãe, nos nossos amigos…
Se tivesse valido a pena, eu era capaz de tentar entender. Se ele se tivesse apaixonado a sério, se nós nos déssemos mal, se a nossa vida fosse má, se tivéssemos deixado de gostar um do outro, eu até podia tentar entender, mas assim… por um motivo tão completamente fútil…não posso.
Mas, apesar disso, tenho de dizer que, como pai em part-time, tem sido um bom pai. Foi buscá-los à escola mais vezes em 15 dias do que num ano inteiro, predispôs-se a ir ao médico com o M. caso eu não tivesse tempo, tem passado alguns momentos de qualidade (ou de palhaçada, como me contou o M.) com eles.
Curiosamente, está mais presente agora. Em part-time, é certo, mas, ainda assim, presente.
E isso minimiza a minha mágoa.
Não posso dizer que é uma má pessoa porque estava a ser injusta. Não posso dizer que tivemos um mau casamento porque não seria verdade.
Durante sete anos foi um bom casamento. Durante um ano foi um casamento médio que a mim não me bastava. Nos últimos 15 dias foi uma telenovela-pesadelo, mas não posso, por estes 15 dias assumir como verdade que o V. é uma má pessoa. Que eu sei que não é. Pode até neste momento estar a sê-lo, mas eu sei que ele é uma pessoa melhor que isto.
Estou magoada e, neste blog, posso escrever o que eu quiser. Porque é meu. Mas não quero ser injusta. Nunca fui e não é agora que vou começar a sê-lo.
Não quero que a minha mágoa tolde o meu bom senso. Isto posto, a partir de agora, só volto a falar de coisas boas e bonitas!

O meu bébé


O M. Tem andado a piscar muito os olhitos, por isso ontem fui com ele ao oftalmologista.

É o médico que o acompanha, a ele e ao P., desde que nasceram (por serem prematuros, foram acompanhados por uma série de especialistas...) e confio muito nele.

Fomos ontem a uma vaga, para ver o que passava com os olhitos e imediatamente a seguir a termos entrado no consultório, disse-me o médico:

- Apesar de ainda não lhe ter visto os olhos em profundidade, posso garantir-lhe que isto é um tique nervoso. Houve alguma mudança significativa na vida dele?

Bem, o meu mundo desabou!

Estava preparada para um problema objectivo, com uma cura objectiva, não para esse diagnóstico...

tique nervoso?????

O meu bebé que ainda não tem sequer 3 anos? O meu menino doce, ternurento, que adoptou para si o papel de homem da casa, que cuida do P. e do J., que me mima à noite com as suas mãos gorducinhas?

O meu anjinho que quando nasceu não teve direito a colo, que estava numa incubadora cheio de fios, de tubos, de sensores, e sei lá mais o quê? A quem não pude cantar canções de embalar?

Não! Não é justo!

E não, não posso perdoar!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

OBRIGADA!


Já vos aconteceu sentir que quanto mais conhecem os factos, mais preferiam não os conhecer?
Estou precisamente a pensar nisso… que quanto mais conheço a lama, mais parece que nela me enterro…
Se há duas semanas atrás me dissessem que eu ia estar no meio desta historieta de segunda categoria, não ia acreditar…
Mas o certo é que estou, apesar de nada ter que ver com isso….
O que vale é que sou uma pessoa equilibrada que sabe estar muito acima desta porcaria toda!
Sei que a minha família (incluída aqui a família do V.) está preocupada comigo.
Têm sido todos incansáveis… na preocupação, na disponibilidade, no carinho.
E eu agradeço genuinamente esse carinho, mas preocupação não…
Sei que sou fisicamente frágil, que estou um bocadinho magra demais, que sou pequena e de aparência fracota, que estou numa autêntica mansão sozinha com três bebés, mas sou muito forte psicologicamente. E por isso não há motivos para preocupação. A sério.
Sou suficiente forte para aguentar este episódio da minha vida como apenas isso – um episódio. Triste, é certo, mas um mero episódio duma história que ainda tem muitos capítulos para contar…
A todos, incluindo família, amigos, colegas, companheiros aqui do blog, OBRIGADA!
As vossas palavras, as vossas mensagens são um conforto para mim e é sempre bom saber que não estamos sozinhos.
Sobretudo quando percebemos que desconhecemos completamente uma pessoa com quem partilhamos mais de metade da nossa vida…
Estou bem. Os meus principes estão bem. Estamos a seguir com a nossa vida. E Vocês já fazem parte dela!
Beijinhos apertados!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A fugir

Ontem o J. fez vários “só-sós”. Foi a primeira vez que tentei, porque na verdade não tenho pressa nenhuma e sempre deixei os meus filhos terem o seu próprio tempo, mas foi muito bom estar ali, com ele, e presenciar mais um marco da sua vida tão curtinha…
Confesso que me faz muita impressão pensar que alguém se possa cansar dos meus meninos, da vida com os meus meninos.
Estão tão crescidos, são tão lindos! E tão atinadinhos…
É tão bom poder partilhar a vida com eles! Não só de passagem, de fugida, mas partilhar efectivamente, ajudá-los a crescer, crescer com eles…
Não percebo. A sério que não percebo. É o que mais me dói. Pensar que se pode trocar esta realidade por outra coisa qualquer, qualquer ela que seja, apenas porque sim. Porque se está cansado dos ruídos, da falta de tempo, das responsabilidades. Porque se quer estar apenas em part-time.
E, por isso, por esse motivo tão fútil, se abdique das maravilhas do crescimento. Dos passos, das palavras novas, das descobertas, dos mimos, dos abraços, do acordar, do adormecer. Do contar histórias, do dançar canções. Do envolvimento diário. Do crescer em conjunto. Todos os dias. Todas as noites. Toda a vida.
Confesso que não percebo. Mas sei que é isso que não posso perdoar.

O nevoeiro

Outro dia o P. abriu a porta, quando íamos para a escola e deparou-se com um imenso nevoeiro.
Disse ele:
Olha mãe, tanto nevoeiro! Que gajo tão feio! Não gosto nada!

Nem eu, filho… nem eu!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Capacidade de adaptação à mudança

É impressionante como sou o elemento agregador na vida dos meus filhos.
Tudo o resto pode estar mal porque desde que eu esteja com eles, eles estão bem. Eu sei disso. Eles sabem disso.
E é impressionante porque eu nem sequer tenho especial instinto maternal… Nem fazia questão de ter filhos… e, de repente, sou o centro da vida deles. O elo que lhes permite ter estabilidade e equilíbrio.
É uma responsabilidade tão grande! Mas assustadora! Não porque tenha medo de assumir essa responsabilidade, muito pelo contrário, mas porque tenho medo de que alguma coisa me aconteça. Porque sei que enquanto eu cá estiver eles vão ser os meninos equilibrados, doces e felizes que têm sido até aqui.
Os meus filhos são, como qualquer outra criança, muito sensíveis. Já se aperceberam das mudanças na nossa casa, na nossa vida. Mas a verdade é que isso, pelo menos até ver, não os afectou em nada. Continuam a acordar felizes e brincalhões. Continuam a adormecer felizes e tranquilos. Não chamam pelo Pai, não perguntam por ele, não me parece que lhe sintam a falta.
Claro que quando o vêem fazem uma festa enorme, de verdadeira alegria porque gostam muito dele, mas acho que já não o vêem como parte de nós.
Ainda hoje o P. e o M., por volta das 7h passaram para a minha cama, por isso, quando o J. acordou estávamos todos juntos, no meu quarto.
O J. estava a chorar, porque tinha fome, e o P. começou a fazer-lhe miminhos e a dizer-lhe:
- Não chores, bebé, o P. está aqui. Estamos todos aqui, bebé, não chores…
Eu levantei-me para ir buscar o leite e quando voltei o J. já não estava a chorar. O P. tinha-lhe dado a chupeta dele e o M. tinha-lhe dado um brinquedo. Disse-me o M.
- estás a ver, mamã? O J. já não está a chorar. Estamos todos com ele!
Uma ternura os meus queridos!
E nessa ternura percebi que o “todos” deles, somos nós os quatro, sem o V.
Isso entristece-me, como é evidente.
Do mesmo modo que me entristece eles não terem procurado pelo Pai quando desceram as escadas da casa da minha mãe (costumava ser uma brincadeira deles: O Pai escondia-se e eles procuravam-no) nem se terem admirado por irmos tomar o pequeno-almoço no meu carro, sem o V.
Entristece-me, claro. Mas por outro lado, percebo a imensa capacidade de adaptação que as crianças têm, a imensa facilidade que têm de se moldarem a novas realidades, a novos estilos de vida, desde que eu esteja lá.
E Estou. Estou e sempre estarei!

Nota: Eu e o V. separámo-nos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Promessa para toda a vida

Já aqui escrevi que não sou rancorosa. Porque as más acções ficam com quem as comete, não com quem as sofre.
Mas tudo muda se fizerem mal aos meus meninos. Se os fizerem sofrer. Isso não posso admitir. Por eles sim, fico rancorosa. Por eles sim, posso ficar má. Por eles sim posso mudar tudo na minha vida. Porque são os meus anjinhos e a minha função de Mãe é protegê-los sempre. Posso até nem conseguir em tudo, mas garanto que vou sempre, durante toda a minha vida, tentar. Porque não faço promessas vãs. Não faço promessas que não posso cumprir. Se assumo, respeito o compromisso até ao fim. Este é o meu compromisso de vida: Os meus bebés, os meus principes, os meus docinhos de coco.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Homem da casa chegou!

Como já aqui disse muitas vezes, os meus filhos são crianças muito doces, muito ternurentas, mas o M., para além disso, é de uma sensibilidade extrema, apesar de nem sempre parecer.
Ontem decidiu ser o homem da casa.
Primeiro ajudou-me a arrumar as compras que o Pai tinha trazido; depois pôs-me sacos novos nos contentores do lixo ( - aqui não tem saco, mamã!).
Quando lhes pedi para arrumar os brinquedos, ele arrumou os dele sem reclamar e, na ausência de pressa do P., começou ele a arrumar os brinquedos do irmão. Quando eu lhe disse para não arrumar porque não era criado do P., respondeu-me:
- O Miguel, arruma, mamã, o M. gosta.
Quis ser ele a ajudar o P. a subir as calças e até ao subir as escadas se mostrou crescido.
Primeiro não pediu colo como é seu habitual e depois, quando o P. pediu colo e ficou a chorar nas escadas ele foi a correr aflito: Eu dou-te colo mano, eu dou!
(como se ele conseguisse, o meu anjinho lindo…)
Finalmente, tirou ele a roupa e os sapatos (costuma resmungar para tirar os sapatos quando são de cordão, mas ontem nem me pediu ajuda!), foi sozinho à casa de banho limpar o narizito, foi buscar as fraldas do J. e esteve sempre ao meu lado a entregar-me os toalhetes: Eu ajudo-te, mamã, eu ajudo!
Nitidamente, cada um dos meus filhos vai desempenhar um papel diferente na nossa casa: O P. é o palhaço, o bem disposto, o cantor, que já desenha lindamente, um verdadeiro artista.
O M. é o protector, organizado, responsável, amigo, o confiável.
O J., ainda não sei bem. É muito simpático e divertido, gosta muito de festa, de bater palmas, de explorar. Adora brincar com os irmãos, mas não gosta de partilhar colo com eles. Não gosta de partilhar atenção. Provavelmente vai ser o miminho da casa, o mais exigente, mas a sua personalidade ainda não está perfeitamente definida.

Amo de paixão esta minha família linda que, apesar de tão recente, é tão minha, tão nossa, tão para sempre.