segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sobre o filme "marley & eu" ou sobre como um post se pode tornar realmente grande

Ontem fui, acho que pela primeira vez em toda a minha vida, sozinha ao cinema.
Fui ver o filme “Marley & eu” e, vá-se lá saber porquê, fartei-me de chorar.
É certo que não estavam assim muitas pessoas na sala, mas é certo também que acho que só eu é que chorei…
Primeiro porque sou, de facto, chorona e depois porque lido muito mal com o sofrimento, mesmo que seja em filme e não me diga, aparentemente, nada.
A minha Mãe diz que nisto sou parecida com o meu Pai. A maior parte das vezes prefiro não saber do sofrimento. Por isso raramente vejo telejornais ou ouço notícias menos agradáveis. Claro que não é por eu ignorar as coisas que elas desaparecem – bem sei. Mas posso pelo menos afastá-las um bocadinho. E, se um dia, essas coisas más me baterem à porta, cá estarei para lidar com elas. Enquanto for na porta alheia, deixá-las lá.
Bom, isto a propósito do filme que acompanha a vida de um cão, o “marley” (como o Bob) na vida de um casal.
Tem muitas coisas curiosas: O facto de o cão ser indomável, o facto o marido do filme ter comprado o cão para acalmar o desejo da Mulher de ter filhos, o facto de esse casal acabar por se ver com três filhos (o segundo e terceiro, nitidamente por acaso), o facto de ambos terem abdicado de muita coisa em prol desses filhos e dessa ideia de família.
A certa altura o marido pergunta à Mulher se ela é feliz, uma vez que nada daquilo que tinham correspondia ao plano que tinham traçado e ela responde que apesar de nada corresponder ao plano dela, o que tinham ultrapassava em muito o planeado. Que não se arrependia, por um momento, das concessões que tinha feito, das coisas de que tinha desistido. Que sim, era feliz.
E não pude deixar de pensar que aquilo pelo qual eu e o V. passamos se repete em tantos e tantos casais. Que são ultrapassados pela própria vida. Afinal é tão comum…
Nós é que, do alto da nossa ignorância e presunção, pensamos sempre que somos melhores que os outros, que a nós nunca nos vai acontecer.
Porque acontece. Muitas e muitas vezes. A diferença está no modo como se encaram as frustrações, as desistências, as concessões e se vê (ou não) a magia do que se ganhou em troca.
Felizmente sempre consegui ver isso. Apesar de nunca ter sido o meu plano ser uma burguesinha com três filhos, sempre consegui ver a beleza e a magia do que ganhei em troca. Posso não ter ido salvar pessoas para Moçambique como tantas vezes sonhei. Posso não ter uma vida admirada pelos outros pela grandeza dos meus actos, mas tenho, em troca, uma família linda e doce que todos os dias me aquece a alma.
Ando há três anos a adiar uma pós graduação da qual começo a sentir muita falta, ando há três anos a adiar viagens que sei só vou poder fazer daqui a muitos anos, ando há três anos a adiar muita coisa que vou ter de adiar ainda por mais algum tempo mas, em contrapartida, quando tenho de manhã, na minha cama, três pares de braços e três pares pernas em cima de mim e ouço os meus bebés dizer, contentes, “- cabemos todos aqui mamã, que bom!” sei que não preciso de mais nada na minha vida.
E que, por muito que tenha ainda de desistir de outras coisas que são ou serão importantes para mim, enquanto os tiver comigo, não terei nenhum arrependimento.
Sim, não era este o meu plano. De todo. Mas ultrapassa em muito, pela positiva, tudo aquilo com que sonhei.

O filme acaba com a seguinte pergunta: Quantas pessoas nos fazem, de facto, sentir, extraordinários?

Pensem nisso. Quantas pessoas vos fazem sentir, de facto, extraordinários????
São essas as pessoas que devemos amar incondicionalmente. Que devemos estimar, reconhecer e guardar bem juntinho de nós. São essas pessoas que devemos acompanhar sempre que nos for possível. Porque a vida é tão curta…
Não vale mesmo a pena se não for vivida ao lado de quem nos fizer sentir pessoas extraordinárias…. Digo eu, sei lá!

10 comentários:

Tudo o que eu sonhei! disse...

Querida S.,
Deixa-me dizer-te que, ultimamente não consigo conter a emoção ao ler os vossos escritos...
Um xi e um beijo com desejos de uma boa semana, de uma vida feliz e completa,
X

Belit@ disse...

Olá S!
Eu também chorei imenso a ver esse filme.
E realmente faz-nos pensar muito na nossa vida. Que não corre como planeado mas no final, concluimos que não era possível sermos (tão) felizes de outra forma.

Beijoca e boa semana :)

barrigacheiadefelicidade disse...

Belita,
ainda bem que nao fui só eu!
Já nao me sinto tão desenquadrada!
Para quando o bom tempo e outra tarde passada com patos???
Fico á espera!
bjs

Edith disse...

E eu que andava à procura de um filme para ir ver com o J.; parece - me que este vem muito a propósito ao momento / situação que estamos a viver, vamos lá a ver se o convenço para o proximo fds...
Bj

p.s - depois digo - te se chorei ou não, provavelmente vou chorar e muito!

Maria José disse...

J´TINHA OUVIDO FALAR DESTE filme e todas as pessoas que o viram que choraram.
bjokas

Polar Azul disse...

É uma pena que não escrevas com a mesma regularidade de outrora, mas escreves sempre bem, sempre com sentimento. Também já estive para ir ao cinema sozinho, mas resolvi não ir. Como se houvesse coisas que só se fazem a dois.

Banita disse...

Eu só não chorei a ver esse filme porque estava sentada ao lado de um estranho na viagem de avião Madrid-México! Mas tive tanta vontade quando o Marley morreu... vieram-me as lágrimas aos olhos e lá disfarçei a coisa porque chorar à frente do estranho quando os Banitos (e quase toda a gente no avião) estavam a dormir...
Sim, a vida não é de todo o que fantasiamos/esperamos, mas em compensação traz-nos muitas surpresas boas! E dá-nos oportunidades que nunca mais iremos ter na vida, há que saber aproveitá-las quando elas se apresentam. E se o mundo acabasse dentro de uma semana, não escolherias viver o resto da vida ao lado do teu V, apesar dos pesares? (a pergunta é retórica e não para levar a mal)
Beijinhos

Belit@ disse...

S.
Estou a ver se meto uma cunha a um S. Pedro ou assim, para podermos passar outra tarde de brincadeira com os nossos pequenos. Mas o Pedro com que lido diariamente é tudo menos santo, e, a ter poder sobre meteorologia, de certeza que escolheria tempestades r dias cinzentos... Quando estivermos juntas explico. :)
S. Pedro à parte, os dias da semana passada, de sol e calor não estão para muito longe. Vamos falando :)

Beijoca

Anónimo disse...

olá S.
Só à pouco me apercebi da realidade que vc vivem agora, e este filme não era de todo recomendado veres... :)
apenas te posso dizer, que no momento que vi o filme me ocorreu-me exactamente a imagem da tua família.. e pensei, como é que a S. consegue! é realmente dificil lidar com o dia-a-dia e superar a rotina que os filhos exigem e nos impõem... e qdo soube fique desarmada... como é possível.. parecia tudo tão perfeito.. Força é tudo quanto te desejo.
Ainda ainda acerca do filme,em alguma passagens pus mesmo a mão na consciência em algumas passagens do género " não quero ser uma dakelas mães que passam 2 horas com o filhos por dia"... é uma realidade de matar o coração de qq mãe...
e a ultima frase é mesmo a chave de tudo... afinal quem nos acha extraordinários... já olhamos realmente à nossa volta para perceber..??
beijo gde
monica

somebody disse...

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