segunda-feira, 11 de maio de 2009

Aprender a educar


Ainda aqui nao falei sobre a minha "sessão" de quinta-feira passada com a Drª Lurdes Veríssimo.

Para quem nao sabe ela é coordenadora do curso "aprender a educar" da católica (pelo menos no Porto), que pretende orientar os Pais nessa coisa difícil que é a educação.

Eu já tinha ido a uma sessão sobre o tema "regras e limites. Castigos e recompensas" e agora, curiosamente, a escola do P. e do M. decidiu oferecer aos pais uma sessão sobre o mesmo tema.

Apesar de já a ter ouvido falar, fui outra vez porque gosto sempre de ouvir falar quem sabe que eu.

Aprende-se sempre qualquer coisa, ainda que nada do que ela diz seja novidade. Gosto de a ouvir. Gosto de perceber que há muitos outros Pais que passam pelas mesmas dificuldades, que têm as mesmas dúvidas que eu.

E gostei sobretudo que, a meio da conversa, ela tenha referido que o filho dela andou naquela escola, que tem excelentes recordações daquele espaço e que "isto sim, é uma escola."


Fiquei mesmo contente. Se ela, que é entendida na matéria, optou por aquela escola e ainda hoje lhe tece rasgados elogios, devo ter feito uma boa escolha...

Evidentemente que acho que fiz, mas foi bom ouvir isso.


Muito recompensador...

Quero mesmo acreditar em Astrologia!

Seguindo a sugestão da Mãe da Tiz, fui ver o que o site personare dizia sobre o meu modo de ser mae, segundo o dia, hora e local de nascimento. Ora aqui vai:

MÃE ELEGANTE, VAIDOSA E INTERESSANTE
A mãe com o signo lunar em Libra, além de ser profundamente elegante, tem uma aptidão nata para encontrar soluções diplomáticas. Interessada em artes e cultura, essa mãe é um exemplo a ser seguido sob vários aspectos. É alguém com desejos de agradar, em todos os planos, e isso a torna uma ótima mãe. Mesmo tendo que se dedicar a cuidar dos filhos, ela ainda encontra tempo para se fazer bonita e interessante. Essa mãe é uma sedutora!

Convenhamos que nao é mau de todo... Boa Mãe e sedutora...que boas notícias!

Pois é: também tenho dias maus, porque nao?


Claro que há dias piores que outros.
Como podia não haver?
Há dias que, efectivamente são piores que outros.
Há dias em que balanço. Em que penso em como as coisas podiam ser diferentes. Em como as escolhas podiam ser diferentes.
Há dias em que me custa respirar. Em que mal consigo acreditar na imaturidade, na incoerência, na instabilidade…
Há dias em que realmente é difícil perceber como é que eu ainda posso pensar, sequer, em balançar…
Será que a estupidez humana tem limites? Será que a minha estupidez tem limites?
Eh, pá, há dias em que fico mesmo zangada.
Á merda com os discursos bonitos, com as palavras, com as lágrimas no canto do olho.
Á merda com os crocodilos!
Venham as pessoas a sério. As pessoas de verdade que sabem o que querem, que dizem o que efectivamente sentem, que agem de acordo com o que dizem. Que lutam pela mudança. Que decidem caramba!
Irrita-me tanto a incongruência!
Uma vez por outra, vá que não vá… mas a insistência nessa postura mascarada de coitadinha… mata-me. A sério!
É outro dos meus ódios de estimação.
Gosto de coisas claras, perenes, transparentes. Coerentes.
Há dias piores que outros.
Em que o peito teima em não querer deixar o ar passar.
Merda!
Ainda bem que há os dias melhores…e que são muitos…

Sobre o filme "marley & eu" ou sobre como um post se pode tornar realmente grande

Ontem fui, acho que pela primeira vez em toda a minha vida, sozinha ao cinema.
Fui ver o filme “Marley & eu” e, vá-se lá saber porquê, fartei-me de chorar.
É certo que não estavam assim muitas pessoas na sala, mas é certo também que acho que só eu é que chorei…
Primeiro porque sou, de facto, chorona e depois porque lido muito mal com o sofrimento, mesmo que seja em filme e não me diga, aparentemente, nada.
A minha Mãe diz que nisto sou parecida com o meu Pai. A maior parte das vezes prefiro não saber do sofrimento. Por isso raramente vejo telejornais ou ouço notícias menos agradáveis. Claro que não é por eu ignorar as coisas que elas desaparecem – bem sei. Mas posso pelo menos afastá-las um bocadinho. E, se um dia, essas coisas más me baterem à porta, cá estarei para lidar com elas. Enquanto for na porta alheia, deixá-las lá.
Bom, isto a propósito do filme que acompanha a vida de um cão, o “marley” (como o Bob) na vida de um casal.
Tem muitas coisas curiosas: O facto de o cão ser indomável, o facto o marido do filme ter comprado o cão para acalmar o desejo da Mulher de ter filhos, o facto de esse casal acabar por se ver com três filhos (o segundo e terceiro, nitidamente por acaso), o facto de ambos terem abdicado de muita coisa em prol desses filhos e dessa ideia de família.
A certa altura o marido pergunta à Mulher se ela é feliz, uma vez que nada daquilo que tinham correspondia ao plano que tinham traçado e ela responde que apesar de nada corresponder ao plano dela, o que tinham ultrapassava em muito o planeado. Que não se arrependia, por um momento, das concessões que tinha feito, das coisas de que tinha desistido. Que sim, era feliz.
E não pude deixar de pensar que aquilo pelo qual eu e o V. passamos se repete em tantos e tantos casais. Que são ultrapassados pela própria vida. Afinal é tão comum…
Nós é que, do alto da nossa ignorância e presunção, pensamos sempre que somos melhores que os outros, que a nós nunca nos vai acontecer.
Porque acontece. Muitas e muitas vezes. A diferença está no modo como se encaram as frustrações, as desistências, as concessões e se vê (ou não) a magia do que se ganhou em troca.
Felizmente sempre consegui ver isso. Apesar de nunca ter sido o meu plano ser uma burguesinha com três filhos, sempre consegui ver a beleza e a magia do que ganhei em troca. Posso não ter ido salvar pessoas para Moçambique como tantas vezes sonhei. Posso não ter uma vida admirada pelos outros pela grandeza dos meus actos, mas tenho, em troca, uma família linda e doce que todos os dias me aquece a alma.
Ando há três anos a adiar uma pós graduação da qual começo a sentir muita falta, ando há três anos a adiar viagens que sei só vou poder fazer daqui a muitos anos, ando há três anos a adiar muita coisa que vou ter de adiar ainda por mais algum tempo mas, em contrapartida, quando tenho de manhã, na minha cama, três pares de braços e três pares pernas em cima de mim e ouço os meus bebés dizer, contentes, “- cabemos todos aqui mamã, que bom!” sei que não preciso de mais nada na minha vida.
E que, por muito que tenha ainda de desistir de outras coisas que são ou serão importantes para mim, enquanto os tiver comigo, não terei nenhum arrependimento.
Sim, não era este o meu plano. De todo. Mas ultrapassa em muito, pela positiva, tudo aquilo com que sonhei.

O filme acaba com a seguinte pergunta: Quantas pessoas nos fazem, de facto, sentir, extraordinários?

Pensem nisso. Quantas pessoas vos fazem sentir, de facto, extraordinários????
São essas as pessoas que devemos amar incondicionalmente. Que devemos estimar, reconhecer e guardar bem juntinho de nós. São essas pessoas que devemos acompanhar sempre que nos for possível. Porque a vida é tão curta…
Não vale mesmo a pena se não for vivida ao lado de quem nos fizer sentir pessoas extraordinárias…. Digo eu, sei lá!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

blá, blá blá e coisa e tal


Eu sei que não devia dizer isto, mas os meus filhos são tão chatos que até a mim me cansam…
A sério! São tão absorventes que se fossem papel de cozinha eu nunca tinha nada molhado em casa…
Nunca se calam. Querem saber tudo, falam sobre tudo, têm opinião sobre tudo.
São curiosos, pedem explicações, cansam-se até à exaustão.
Fico mais extenuada em duas horas com eles do que num dia inteiro de trabalho intelectual intenso.
E depois, só querem a minha opinião. Porque se perguntam qualquer coisa e, por ex., o Pai responde, isso não os convence. Imediatamente a seguir perguntam-me a mesma coisa e só a minha opinião os cala.
Juro. É mesmo cansativo ter dois putos a exigir respostas o tempo todo, mais um a caminho.
Sim, porque o J. vai ser igual ou pior. Com 14 meses já tem a mania que é gente e já bate o pé e faz birra quando não se lhe faz a vontade.
Com o bater o pé e a birra sei eu lidar, mas não posso evitar que os meus filhos sejam miúdos curiosos, tagarelas e inteligentes.
Claro que é óptimo saber que são miúdos espertos, que percebem conceitos que na idade deles não é habitual, mas isso é à custa de muita, muita paciência… e uma grande dose de bom humor…

E há, de facto, dias, em que só me apetecia, como diria o meu colega A., ter uma arma tranquilizadora que disparasse um daqueles tiros certeiros e pum… no more crianças barulhentas durante umas fracções de segundo….
Tinham de sair à mãe logo nisto, tinham?????

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sobre o fim de semana


Ainda aqui não falei no nosso fim de semana. É que tenho tanta coisa para escrever que até me custa começar. Mas ora vamos lá fazer um resuminho:
1ª constatação: quem inventou fins de semana de três ou mais dias não foi decerto uma mãe de três filhos bebés. È que é mesmo cansativo! A sério! Cheguei na segunda feira ao trabalho com uma boa disposição… ainda bem que existe o trabalho… e que os fins de semana só têm dois dias!...
2ª constatação: Ok, não foi assim tão mau! É certo que foi cansativo, mas foi também delicioso.
Partilhar com os meus filhos momentos de pura diversão é realmente compensador. E todo o cansaço se desvanecia quando eles me diziam (e o P., sobretudo, fartou-se de o repetir): estão tão contente, mamã!
3º Apesar de compensador, alguém me explica porque é que o acesso aos castelos é tão difícil?????
Então e umas rampas? Ou um teleférico? E os pobres coitados que usam cadeiras de rodas não têm direito a visitar castelos? Muito mau… subir as escadas (pseudo-escadas, naturalmente) do castelo de Leiria com o J. ao colo, foi realmente extenuante.
4ª constatação: Ora então vamos lá começar pelo inicio:
Fomos para Vieira de Leiria. Para um hotel muito engraçado, mesmo em cima da praia, com umas casinhas muito coloridas, muito espaço, parque infantil, piscina climatizada e parque aquático (que não estava ainda aberto). Não conhecia mas gostei muito.
Em Leiria, visitamos a base aérea de monte real, onde vimos um avião de guerra, fomos ao castelo de Leiria (o tal das escadas, que é muito bonito e muito bem conservado) e a uma feira de Maio onde o P. e M. andaram de carrocel e os três tiveram direito a balão.
Fomos à piscina, á praia, jogamos muito á bola, andaram no parque, fartámo-nos de brincar.
Foi, de facto muito, muito bom.
Não deixou de ser cansativo (e um bocadito caro) … mas ainda assim, valeu bem a pena.


Porque o que guardamos, cada vez mais percebo isso, são as memórias. As recordações. E essas têm de ir sendo construídas paulatinamente, á medida do nosso crescimento.

O dói-dói

Outro dia, no banho, o M., sem querer, magoou o P. no pilauzito. O P. nem reparou, mas no dia seguinte percebeu que, de facto, tinha um arranhão. Disse-me ele:
- oh, mãe, tenho um dói-doi no meu pilau! Põe-me um penso….

Sim, é verdade: todas nós nos transformamos, um dia, nas nossas Mães, apesar de acharmos sempre que isso nunca irá acontecer!

Ontem, estávamos a jantar e o J. deitou um bocadinho de cereja para o chão.
Comentário do P.:
- Oh, J. isso nao se faz! nao se estraga comida porque há muitos meninos a passar fome...

E eu nao pude deixar de pensar: Quando é que eu me transformei na minha Mãe?????

terça-feira, 5 de maio de 2009

Nostalgia de terça-feira


O V. colocou esta imagem no blog dele. Uma imagem de uma praia perto de Porto de Galinhas. Praia dos Carneiros, em Pernambuco
Já não me recordava bem do nome, tive de ir ver ao Google, mas sei que era uma praia onde o mar se juntava com o rio e a água era do mais quente que já experimentei. E que aquela igreja perdida em nenhures estava cheia de morcegos
Num momento muito feliz das nossas vidas em que ambos pensávamos que iríamos ficar juntos para sempre.
E isso fez-me pensar num post da Mãe em alto mar, a propósito da falta de tempo para ela e para o marido enquanto casal, com três filhos pelo meio.
Quando o li não me apeteceu comentar, porque foi com um misto de alegria (por ela) e tristeza (por mim) que o li. Mas, depois deste tempo, já consigo escrever com algum distanciamento.
Houve, de facto, momentos em que eu pensei que eu e o V. íamos crescer e morrer juntos. E esses momentos foram uma linha contínua até há pouco mais de um ano.
Depois, de repente, afastámo-nos. Não conseguimos sobreviver no meio de tanto ruído. O V. não conseguiu encontrar, nessa confusão em que a nossa vida se transformou, a alegria de um minuto a sós comigo, em que podíamos sussurrar amor.
Não merece a pena arranjar culpados. De facto isso é o menos importante porque não há quem esteja isento de culpa, mas não consigo deixar de lamentar que o V. não tenha sabido esperar. Estar comigo. Perceber que o meu papel, naquela altura, era ser organizadora de casa (porque na verdade dona de casa nunca fui muito…), profissional, mulher e, sobretudo, Mãe.
Fui, durante um ano, Mãe e Pai de três bebés. Com alguns queixumes e azedumes pelo meio, mas muito poucos se comparados com o quão sozinha estive durante esse tempo. Porque, apesar disso, tinha encontrado o meu Mais. A minha completude. E achava que, ainda assim, podíamos conseguir sobreviver. Mais um bocadinho, mais um bocadinho…
Não conseguimos.
O V. perdeu-se nesse caminho. Nessa caminhada que deixou de ser nossa para passar a ser só minha.
Tenha pena. Sim. Muita. Não consigo deixar de ter. E, quando vejo um post como aquele, não consigo deixar de sentir uma pontinha de inveja. No sentido positivo, entenda-se. Apenas porque lamento que a minha família de capa de revista não tenha conseguido superar-se.
Continua a faltar-me um cão e um barco, para a típica família das soap americanas, mas lá chegarei.
Como sabem, perco muito pouco tempo a lamentar o que não tenho.
E, na verdade, hoje nem sequer lamento o que não tenho.
Lamento apenas que o V. não tenha sabido amar-me (e amar-nos) o suficiente.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Mãe gosta de quê?????

Hoje foi o dia da Mãe na escola do P. e do M.
Estivemos a fazer um desenho (escolheram o tema da viagem), lanchamos e deram-me, cada um deles, um porta-chaves.
Entretant estive a ver os desenhos deles sobre a Mãe e as frases que disseram.
Segundo o P.
" A Mãe gosta de camarão"
Segundo o M.
A Mãe gosta de comida"

De tantas coisa que eles podiam dizer que a mae gosta, tipo brincar, jogar à bola, ler histórias, dançar, passear, sei lá, tantas coisas giras, foram escolher estas????? Logo eu que nem sou grande apreciadora de comida?????

Estou feita com estes filhos!