terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Anjinho J. a caminho...


O meu príncipe J. deve estar quase a nascer.


Já tenho quase 36 semanas e nunca estive tanto tempo grávida!


Ufa, que isto cansa!


Mas já está tudo pronto: Já temos berço novo (os berços do P. e do M. foram para outra casa de gémeos que precisava mais deles que nós), roupas (para tamanhos prematuros e não prematuros... não sabemos quando vai nascer...), brinquedos, cremes, fraldas... tudo a postos para o nosso novo elemento familiar.


O P. e o M. ainda não viram o berço. Mas quando vêem a roupa pequenina já dizem que é para o bébé J.

E dão beijinhos na minha barriga e fazem miminhos...

Espero que não seja demais para eles! Já têm de repartir tanta atenção entre eles e agora também com o J....

Sei que vou amar este novo filho tanto quanto amo o P. e o M., mas nesta primeira fase tenho mais receio por eles.

O J. será apenas um bébé com necessidades mínimas de comida, rabinho seco e de amor.

O P. e o M. têm necessidades máximas de tudo. São crianças muito exigentes. Porque as eduquei assim, porque as deixei e deixo ser assim. Porque quero que sintam que podem pedir da vida tudo a que têm direito e, neste momento, somos nós a vida deles.

O J. também há-de ser assim. Porque também o vamos amar incondicionalmente e porque também terá tudo aquilo a que uma criança feliz tem direito.




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Diferenças


O M. é, de facto, um terrorista. Um desajeitado que em vez de caminhar, corre e anda sempre a tropeçar. Bate no irmão, dá pontapés em tudo, atira as coisas para o chão, e sou capaz de o imaginar no colégio a tirar os brinquedos aos outros miúdos e a puxar-lhes os cabelos...

Em contrapartida, é muito meigo. Doce como mel. Agarra-se ao nosso pescoço a dá-nos beijinhos amorosos. Sorri para nós como se fossemos o centro do seu mundo. Quando chega da escola já vem a chamar a mãe, mesmo antes de entrar no portão... e anda sempre a chamar pelo mano. Se pedir alguma coisa para ele (um brinquedo, pão, uma chupeta, uma caneta, seja o que for), pede também para o irmão. É generoso e muito, muito querido.

O P. é bem mais calmo. Faz birras monumentais se estiver com sono, mas exceptuando esses momento, é bem mais fácil de lidar. É fisicamente mais frágil, pede mais colo e adora miminhos. É muito atento, curioso e um autentico palhaço. Adora brincar, inventar brincadeiras, escrever, dançar e cantar. Não é tão apegado a nós. É mais independente, mas à noite, puxa-me a cara para a dele e fica a adormecer bem agarradinho a mim... e também adora o irmão: Sempre a ver onde o M. está, o que está a fazer...

São tão diferentes! E amorosos, docinhos, lindos, risonhos, queridos, uns amores! Que me derretem o coração.

Grávida


Gosto sempre de falar com a I., em qualquer altura, mas a nossa conversa de ontem, fez-me mesmo bem.


Porque também está grávida e porque me compreende.


Também acha estranho ter um bebé a mexer dentro dela. E não é?


É evidente que sabemos que é bom sinal, e que queremos que o bebé se mexa, mas isso não quer dizer que não se estranhe...


É como diz a I.: Como se não tivessemos controlo sobre o nosso corpo, um ser estranho aqui a mexer-se...


Ainda bem que consigo falar com outra grávida que não morre de amores pelo seu estado...


Ainda ontem dizia ao V. que não entendo quem pode achar a gravidez um estado de graça.


Graça em quê?


Estou gorda, pálida, de cabelo desarranjado, com falta de ar, com dores no corpo todo, quase incapacitada...


Onde está a graça?


A única coisa boa da gravidez é o filho que se lhe segue, mas precisava de ser tão complicado?


E era preciso serem nove meses?

Felizmente estão a chegar as 37 semanas... Mais quinze dias (mais coisa menos coisa) e o J. já está connosco cá fora!




sábado, 9 de fevereiro de 2008

Nós, os egipcios e os autocarros


Se agora os egípcios nos vissem, quase a precisar de um autocarro, já não se riam com tanta facilidade!

Nunca conheci gente tão preocupada com a procriação! Nem tão suja, nem tão atrevida (mas isso é outra história).


Uns tempos antes de engravidar, eu o V. decidimos fazer um cruzeiro no Nilo. Não era propriamente o nosso destino de sonho, mas era um dos locais que, em termos de história e de cultura nos interessava, por isso lá fomos nós ver as pirâmides!

Para além do imenso calor que apanhamos (quase 50 graus) e da raridade que foi termos passado por uma tempestade com chuva no meio do deserto (que já não acontecia há não sei quantos anos), apanhamos também com os egípcios!

Juro que não sou uma pessoa que tenha qualquer tipo de preconceito com qualquer tipo de povos. Quando não gosto, seja por que motivo for, é de pessoas e não de tipos, mas a maioria dos egípcios que conhecemos, fizeram com que não pensemos voltar lá tão depressa.

Para além de todos os outros problemas, tinham, decididamente, um complexo qualquer com a questão da fertilidade.

As conversas começavam sempre com:

- São casados?

- Sim...

- há quantos anos?

- dois/três (já não sei bem)

- e filhos?

- ainda não...

- Não????!!!!!!!

E começava aqui o concurso de mais coisas parvas ditas por minuto, todas dirigidas ao V.:

- Mas não gostas da tua Mulher?

- Ai, se eu tivesse uma mulher assim... (como se isto fosse um elogio para mim, quando na verdade, para eles o que lhes interessava era apenas uma mulher com dois braços para trabalhar e pouco mais)

- Não tens força?

E outros comentários bem menos apropriados...

Precisavam de nos ver agora!

Com dois filhos quase a fazer dois anos e outro quase a nascer, o céu é o nosso limite!

Isso, e os lugares disponíveis num autocarro para levar toda a prole!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


Acho que sempre fui uma miúda (!) mais ou menos emotiva, mas nunca fui muito de chorar a ver filmes.

Depois de ser mãe, passei de mais ou menos emotiva a torneira de lágrimas mal fechada...

Se vejo um filme, uma notícia, qualquer coisa que fale de crianças e que não seja propriamente alegre, lá está a lágrima teimosa a aparecer, numa torneira que não quer fechar!

Isto de ser mãe poe-nos mais mariquinhas...

É que a ideia de perder os meus filhos ou de os ver sofrer de qualquer maneira, poe-me literalmente doente.

Daí as mariquices das lágrimas: Associo sempre uma imagem a uma eventualidade, uma criança, a um filho de alguém, um pai, a um pai de alguma criança...

Não consigo sair deste esquema associativo! Por isso, acho que para o resto da minha vida vou ver a S. mariquinhas...


Outra coisa que se alterou com a maternidade (para além da cintura que alargou alguns centímetros...) foi a minha capacidade de tolerância. Ou antes: o modo como equilibro a tolerância.

Por um lado, sinto-me mais tolerante em muitos aspectos do meu dia a dia, por outro, não tenho nenhuma paciência para má educação, chico espertismo e perdas de tempo.

Porque a minha vida, que já era demasiado importante para perdas de tempo, agora ainda é mais demasiada... (seja lá o que isto for).

Todos os dias olho para o milagre que tenho cá em casa e todos os dias me apetece aproveitar a vida em paz. Partilhar os meus momentos com as pessoas de quem gosto e cruzá-los com os seus momentos. Construir uma torre de agoras que sejam lembrados nos depois. Sem más interferência!


É. Acho que outro dos meus ódios de estimação são as pessoas parvas.


Que chatice! Eu a pensar que não tinha nenhuns ódios e de repente já tenho não sei quantos.

Mas há mais:

A celulite;

As estrias;

o telefone que toca durante a noite;

e outros que agora não lembro mas hão-de rapidamente aparecer!


Bom, pelo menos não tenho o rabo quadrado!

(sim, podia sempre ser pior!)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Crescimento



Hoje, quando vesti o casaco ao M., antes dele sair de casa para a escola, percebi que os meus filhos cresceram.

O casaco, que ainda há pouco lhes era grande, de repente está curto nas mangas e no comprimento. E eu nem me apercebi!

Terei andado distraída ou este tipo de crescimento é demasiado imperceptível? Ou serei eu que não quero que cresçam?

Se eles pudessem crescer e continuar a ser os meus bébés...

Quando vejo os filhos da G., já tão grandes, e lhe digo: " os teus filhos estão tão crescidos!", penso na angústia que eu vou sentir quando me disserem isso a mim.

Claro que é bom que cresçam saudavelmente. Faz parte das minhas aspirações de mãe, mas também faz parte deste sentimento agridoce que é vê-los ganhar asas...

O que vale é que hoje o P. me disse, olhando muito seriamente para as pernas:

- Tem pêlo.

E eu já a pensar: O Meu Deus, começas cedo... respondi-lhe:

- Têm filho. E quando cresceres vais ter muitos mais!

E ele, amoroso com a Mãe, mesmo sem saber, respondeu:

- Não, não, não...

Imaginando que esta foi uma manifestão anti-crescimento e não anti-pêlos (o que eu também compreenderia, não vá dar-se o caso de me sair um Toni Ramos em versão loira de olhos azuis):

Obrigada Filhinho! Mantêm-te criança enquanto conseguires!...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Assim começa o machismo...


Pergunta-lhes a minha Mãe:

- Onde está o Papá?

- à totão ( ou seja, a ganhar tostão)

- E a mamã?

- à naná, à cama (a nanar na cama) ...

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Tantos anos de luta, tanto feminismo atacado, tanta guerra pelo direito ao voto, para que dois pirralhos que ainda não fizeram dois anos estraguem tudo com um pensamento machista:

O Pai trabalha e traz o dinheiro para casa, a Mãe fica em casa a dormir...

Claro, e temos no jardim uma árvore das patacas para alimentar dois putos machistas e mais um a caminho...

Já não bastava que quando eu digo que alguma coisa em casa está avariada eles fossem a correr para o Pai como se ele conseguisse arranjar? que quando não consigo abrir uma lata, eles chamem pelo Pai?


Será que já nascem com algum implante no cérebro que lhes condicione a liberdade de pensamento?


Da próxima vez que os ouvir dizer isto, pego num martelo e começo a martelar qualquer coisa à frente deles para lhes mostrar o verdadeiro macho cá de casa!

... Ou então, não.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Ciúmes de mãe



Freud enganou-se.


Tanto se fala no homem, tanta importância se lhe dá, quando, na verdade, ele não sabia o que dizia.


Podia ter-nos dito que a sua teoria era só teoria, que tem excepções, que essas excepções são normais..., mas não. E assim, sem explicação para a não concretização da teoria do Sr. Freud, sinto-me uma mãe anormal.


Tudo porque os meus filhos têm uma adoração pelo Pai.


Não era suposto os meninos gostarem mais da Mãe?


pois... balelas!


Se o V. ganhasse um euro por cada vez que os filhos dizem Pai, eramos seguramente pessoas muito ricas!


E sejamos claros: Não é justo!


Estive quase três meses no hospital para eles nascerem, dei-lhes banho quando o Pai não se atrevia porque os achava demasiado frágeis, mudei-lhes as fraldas enquanto o Pai não se habitou ao cheiro (desculpas!), estou atenta às doenças, controlo as febres e as dores, escolho a roupa de todos os dias, decido o que comem, o que vestem, os brinquedos que compramos, os passeios, as "lições" e, acimo de tudo, tenho uma infinita paciência com eles (o que, realmente não é fácil), não lhes grito, ouço-os, canto-lhes canções, embalo-os, danço com eles e, em troca, quando chego a casa (ou chegava, quando estava a trabalhar), a primeira coisa que fazem é espreitar pelo meio das minhas pernas e perguntar pelo papá...


Vá lá... é justo?


Não. Claro que não!


E era suposto eu ficar com ciúmes desta relação então Pai e filhos?


Pois... também não! Porque é sinal de que escolhi um pai amoroso e atencioso para os meus filhos, que o idolatram...


Por isso, a culpa é, sem sombra de dúvida, de Freud!


Se não tivesse inventado o complexo de édipo, eu não estava à espera de filhos adoradores de Mães...


Mau! muito mau é que o Sr. Freud é!


domingo, 3 de fevereiro de 2008

Primas


Ontem as minhas primas de sempre, a A. e a T, com as suas respectivas meninas, C. e I., vieram visitar-me.

São as minhas companheiras mais antigas e quase todas as minhas memórias de infância as incluem. Na escola, nas férias, na rua, nas festas, nos bailaricos de aldeia, nos namoricos, até nas zangas, tenho sempre memória delas.

E agora, todas com filhos. A A., com uma já adolescente linda de 13 anos, a T. com uma bebé também linda de quase 2 anos.

A vida tem encontros e desencontros engraçados. curiosos. Eu e a T. fomos muito chegadas. Tinhamos a mesma idade, a mesma família, as mesmas saídas, as mesmas brincadeiras, os mesmos espaços. A trajectória das nossas vidas tratou de nos afastar num dado momento e, curiosamente, voltamos a encontrarmos numa sala de espera de um consultório médico, as duas grávidas, sem nenhuma das duas saber.

Desde aí não voltamos a perder o contacto. Já não dividimos saídas, nem brincadeiras, nem espaços, nem vidas, mas partilhamos memórias. Que são o que ficam de toda uma vida que passa a correr. As memórias, os instantes, os momentos, as histórias que se cruzam, os fios que se soltam, que voltam a juntar-se, as mantas de retalhos que vamos construindo sem pensar, sem saber... mas que ficam. Como numa fotografia que não se apaga.

A A., será sempre a A. da minha infância que atravessa comigo campos de milho para me levar à catequese. Que partilhava os meus pais comigo. Que muitas vezes convencia o meu pai mais depressa que eu. Que ia connosco à feira do livro, aos passeios de domingo, aos tais bailaricos de aldeia. Que não era apenas uma prima de visita em nossa casa, era da nossa casa.

Mais memórias guardadas, apesar do crescimento, do afastamento, das ditas trajectórias que se vão fazendo, mesmo sem muitas vezes uma escolha explicita.

Obrigada pela visita!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

ternuras de carnaval

Os meus dois anjos num momento de ternura em vésperas de carnaval.

Hoje, no colégio, é festinha de carnaval e os meus meninos fantasiaram-se de pato e carneiro.
No momento deste click, estavam num amoroso beijinho, a pedido da Mãe babada.
Estão tão engraçados!

O M. está doente. Com febre. Desde que começaram a ir para o colégio ainda não tive uma semana em que pelo menos um dels não estivesse doente...
Que saudades de quando estavam em casa e não tinha estas preocupações... São tão frágeis!
É pena não podermos ter o melhor dos dois mundos, mas como realmente não podemos, temos de ir gerindo esta coisa de febres sem explicação aparente...
Apesar da febre, deixei-o ir para o colégio, com um ben-u-ron tomado e brufen na mochila.
Acho que hoje vai ser um dia especial, com lanche com todos os meninos, incluindo os "grandes" e eles vão seguramente gostar.
Adoram estar com outras crianças...